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Artigo | E os churrasquinhos de meio de rua, dão o quê - Pádua Marques

Nessa segunda-feira passada uma notícia mundial abalou desde o Raul Bacelar até o longínquo e desconhecido Itapecerica, nossa famosa Síria, na fronteira entre o São Vicente de Paula e o Joaz Souza. Desde o bairro do Carmo, extremando com o Cantagalo, na zona norte até o opulento Broderville lá na zona sul, perto do lixão. Tudo por conta de que a Organização Mundial da Saúde anunciou que as chamadas carnes processadas, como bacon, salsichas, hambúrgueres e presuntos dão câncer. 

Você não queira saber. A uma altura dessas, nesses ricos redutos da nova classe média tem gente fazendo uma verdadeira faxina na geladeira catando tudo quanto é sinal de linguiça e salsichas, bacons e salames pra rebolar no mato. Essa tal organização não poderia ter achado momento mais infeliz pra anunciar uma desgraça dessas! De vez em quando aparece uma conversa e que ninguém sabe mesmo quem é o autor da má notícia. Já ocorreu com algumas massas, verduras, legumes, frutas, enlatados e até o coitado do ovo. 

Logo o ovo que não faz mal pra ninguém e fica mesmo é escondido na porta da geladeira e no Brasil, antes do Bolsa Família, em casa quando havia pobre, era mão na roda na hora do almoço. Principalmente feito frito e com muita farinha, pra aumentar a bucha no estômago dos barrigudinhos. Logo agora que essa nova classe média brasileira, depois de décadas e mais décadas só comendo feijão com farinha, agora que estava podendo colocar uma salsicha na geladeira, me vem essa tal de Organização Mundial de Saúde lá do meio dos infernos e joga assim um balde de água da lagoa do Portinho bem no meio da mesa?!

E me vem uma indagação que acho pertinente neste exato momento da janta. E os churrasquinhos de meio de rua na Parnaíba, dão que doença mesmo? Porque não tem quem me diga que aquele processo de fazer churrasquinho em meio de rua e em tudo que é ponta de esquina é higiênico como deve exigir a tal entidade. Imagine se essa tal Organização Mundial de Saúde passasse, eu não queria muito não, mas uns dois dias na Parnaíba. E corresse assim de ponta a ponta, desde o João XXIII até o malcheiroso e úmido bairro São José já quase dentro do rio Igaraçu.

Eu queria só estar perto pra ver. Porque pelo visto esse negócio de churrasquinho em ponta de esquina tomou proporções de um grande restaurante a céu aberto em tudo que é canto da Parnaíba. Não tem uma rua ou avenida onde não tenham uns dois ou três. Pelo visto a coisa ficou alossé. E pelo visto não há fiscalização da prefeitura. E quando se passa por uma calçada que seja e encontra aquele monte de gente sentada em cadeiras de plástico no meio da fumaça esperando ser atendida. Uma poluição sem tamanho com aquela gordura no chão e empestando a nossa roupa e tudo. 


E sabe lá Deus com que diabo esse pessoal acende esse fogo da churrasqueira, se com querosene, óleo diesel, álcool, nafta, merda de jumento, bagaço de laranja, pão seco. Com toda aquela fila de espera de clientes o que menos tem importância é a procedência da carne e como ela é processada. E ninguém reclama de nada. Todo mundo ali alegre e satisfeito. Uns aqui sentados bebendo cerveja. Outros mais à frente já limpando os dentes e jogando os palitos usados debaixo da mesa. E aquele pano que a dona do estabelecimento limpa as mesas, realmente um primor de higiene. Não duvido nadinha se a tal Organização Mundial de Saúde viesse fazer um chamado pente fino nesses churrasquinhos da Parnaíba, o máximo que iria alertar é que podem deixar o camarada empanzinado.

Antonio de Pádua Marques - Escritor e Jornalismo


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