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Chavalzada entrevista o artista plástico Jackson Cristiano Lopes


O Blog Chavalzada apresenta a terceira entrevista da série de diálogos que fará com os artistas participantes do "II Fazendo Arte Coletiva" que ocorrerá em setembro no Teatro Saraiva em Parnaíba/PI. A conversa de hoje é com o artista plástico Jackson Cristiano Lopes.



Jackson Cristiano Lopes é pedro-segundense de nascimento e parnaibano por opção. É artista plástico e ceramista. Tem um trabalho figurativo estilizado onde figuram personagens místicos, alados, ou de sua região. Na cerâmica inicia com bebendo em influencias latinas pre-colombianas ou na boa cerâmica popular nordestina. Atualmente dedica-se à confecção e pesquisa em cerâmica de alta temperatura além de pintura em tela. Já expôs em diversas ocasiões dentro e fora do país.

Chavalzada – Primeiramente, me fale um pouco sobre você. Quem é Jackson Cristiano Lopes?

Jackson Cristiano Lopes - Sou empresário, professor, artista plástico e ceramista autodidata. Natural de Pedro II/PI. Já participei de varias exposições coletivas e individuais. Atualmente retomando a carreira artística a partir da criação recente do atelier de pintura e cerâmica do Engenho Cultural São Francisco com o objetivo de divulgar e comercializar meu trabalho. 

CH - Quando você começou a trabalhar com artes plásticas?

Jackson - Comecei aos 16 anos quando ganhei de presente um estojo de tintas à óleo e alguns pincéis há exatos 30 anos atrás.

CH – Qual seu estilo de arte e como o desenvolveu?

Jackson - Meu estilo é o figurativo. Desenvolvi a partir de algumas influências notadamente artistas do movimento modernista. Di Cavalcanti, Portinari, aqui no Piauí artistas como Afrânio Castelo Branco, enfim, o autodidata colhe um pouco de tudo por onde passa os olhos, apesar de não me considerar um artista regionalista, mas, tenho certo comprometimento e envolvimento com a Cultura nordestina também. Sua musicalidade, seu folclore. 

CH - Quais são suas principais influências?

Jackson - Não sei se já uma influência predominante, contudo, na cerâmica pelo menos tenho uma paixão um tanto exagerada pela obra do pernambucano Francisco Brennand. 

CH - Você já trabalhou ou tentou trabalhar com outros estilos e técnicas, assim como outros materiais e tendências? 

Jackson - Sou um pesquisador. Já tentei de quase tudo, texturas, abstrações, alguma coisa mais acadêmica. Materiais alternativos como betume, borra de café, mas o que gosto e uso de fato é a técnica do óleo sobre tela. 

CH - Qual sua opinião a respeito das novas linguagens, como a digital?

Jackson - Com o tempo vamos nos acostumando com as novas tendências mas como colecionador que também sou, observo que adquiri telas ou esculturas o que indica talvez uma certa resistência a essas novas linguagens como meio ou mesmo como produções artísticas. Eu gosto de verdade tanto de fazer como de apreciar é pintura e escultura, a exceção que tenho feito é pra fotografia que é uma arte que de certa forma me chama muito a atenção. 

CH - Em sua opinião, como anda o mercado de artes plásticas no Brasil? Há alguma tendência a melhorar? 

Jackson - Não tenho muito contato com mercado de arte nos últimos anos, antes da crise estava em alta, eu mesmo adquiri muitas peças e percebia que os artistas estavam num bom momento. Agora, com a crise possivelmente tenha sentido. A arte "é o supérfluo" quando não se trata do trabalho que seja visto como investimento ou reserva imobilizada de capital, então é natural que em momentos de crise as pessoas comprem menos. A boa noticia é que hoje, na era da comunicação virtual o contato entre artistas e colecionadores ou galerista está imensamente mais fácil. Hoje você pesquisa em alguns minutos e sabe tudo sobre determinado artista. Isso certamente facilita também a venda. 

CH - Como sobreviver de arte num país como o Brasil?

Jackson - Sobreviver de arte é algo difícil mesmo em países desenvolvidos. É necessário que certas condições juntas aconteçam. A maioria dos artistas tem alguma outra atividade, mas muitos conseguem com boas peças e estando em locais de boa visibilidade, vender e viver do seu próprio trabalho. 

CH
- Existe algum tipo de patrocínio no seu trabalho?

Jackson - Até o momento não. Num determinado ponto de minha vida resolvi que não deveria ser uma linha muito comum entre os artistas, a de esperar por patrocínio, convites ou oportunidades. Ao visitar pela primeira vez a Oficina Brennand, no Recife em 2003 percebi com muita força inclusive que arte precisa de dinheiro, não necessariamente dinheiro de patrocínio porque isso no Brasil muito difícil. Resolvi então construir um outro caminho e desde então me auto patrocinei, não que eu tenha muito dinheiro mas o que ganhei resolvi investir em mim mesmo preparando o terreno para que num futuro próximo esses patrocinadores apareçam mais espontaneamente. E ai que entra a ideia do engenho que na verdade é o maior e mais completo atelier do estado situado no nosso litoral e construir o suavemente com nossos próprios meios. 

CHNo geral, como você vê o momento cultural piauiense no dia de hoje? A arte cumpre com seu papel de refletir a sociedade? 

Jackson - A arte, ainda que de forma não intencional reflete o contexto social ou outras situações em que esteja inserido o artista. Existem aqueles como o Bezerra da Cruz, meu conterrâneo de grande talento, que denuncia a questão da depreciação ambiental dos nossos dias, outros tratam de questões mais psicológicas como a Dacira Brandão, é outros contextos mais arte pela arte como é o caso das exuberantes imagens fotográficas do Adriano Carvalho, mas eu diria que esse dialogo existe, pode ser ampliado inclusive mas faz parte desse universo em que todos nós artistas fazemos parte. 

CH - Você acredita que o povo brasileiro, de modo geral, é desinteressado por arte? Justifique. 

Jackson - A grande maioria sim. Não temos uma educação que priorize certos valores e práticas educativas. Temos poucos museus para levarmos nossas crianças e a grande maioria das pessoas desconhece o valor da arte como um bem que deve ser cultivado e preservado. Nosso passado colonial e nossa Cultura com traços de civilização aculturada e criada para produzir ou consumir determinados produtos podem de certa forma explicar esse contexto. 

CH
- Falta Arte nas escolas públicas brasileiras? Qual sua opinião a respeito?

Jackson - Falta. Falta inclusive profissionais de artes plásticas ou outras formas de expressão que possam orientar melhor. Falta também leitura e principalmente ambientes onde se vivencie experiências plásticas, visuais, cênicas e estéticas. Nossas escolas ou preparam tecnicamente para o ingresso nas universidades ou não conseguem cumprir a sua função mesmo em questões mais básicas. 

CH - Que conselho você daria a um jovem aspirante a artista plástico?

Jackson - Que procure ler, pesquisar e principalmente praticar a arte de sua escolha. O melhor aprendizado vem do exercício prático e da observação do resultado. Sempre que possível é válido fazer cursos e oficinas para aprender a ter certos domínios técnicas. 

CH - Cite um projeto/trabalho que você mais gostou de realizar e outro que pretende fazer. 

Jackson - Eu gostei muito de um projeto que fiz em minha cidade, Pedro II, quando levei e ofertei lá o curso de desenho com o lado direito do cérebro. Foram mais de 50 participantes e mais de 15 alunos conseguiram assimilar a técnica com perfeição. Fazem bons retratos em lápis até hoje é me surpreendem com a qualidade dos desenhos. Um projeto que pretendo desenvolver agora é abrir o nosso acervo para visitação criando aqui na cidade um ambiente de contemplação, pesquisa e troca de experiência entre aqueles que tem por hábito a apreciação ou a realização de trabalhos que envolvam o universo das artes plásticas especificamente pintura e escultura. Além da cerâmica é claro. 

CH
- Já pensou em ilustrar um livro?

Jackson - Já ilustrei o livro ‘Lendas de Pedro II’ de autoria do escritor e poeta Pedro-segundense Ernani Getirana. O livro foi publicado há alguns anos atrás e irá agora para a sua 4ª edição, salvo engano. 

CH - Considerações finais.

Jackson - Creio que as perguntas contemplaram satisfatoriamente tudo o que envolve esse nossa experiência no campo das artes plásticas. Acrescento apenas o fato de que vemos com bons olhos o surgimento em Parnaíba/PI de espaços para a divulgação e prática de atividades culturais a exemplo agora do Teatro Saraiva e do Sesc Caxeiral, a existência desses ambientes são fundamentais para que é arte possa acontecer e estar presente na vida das pessoas.




Trabalho de Jackson Cristiano:

O Casal
Óleo Sobre Tela 2014
Jackson Cristiano Lopes

Mais sobre o Trabalho do autor (AQUI)


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