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Chavalzada entrevista o artista plástico Herbert Véras Viana


O Blog Chavalzada apresenta a quarta entrevista da série de diálogos que fará com os artistas participantes do "II Fazendo Arte Coletiva" que ocorrerá em setembro no Teatro Saraiva em Parnaíba/PI. A conversa de hoje é com o artista plástico Herbert Véras


Herbert Véras começou a desenhar aos 2 anos idade, estudou desenho artístico na escola de desenho Studio Luz, e se formou em artes visuais pela UFPI, participou de duas edições do salão de Arte Santeira pelo qual ganhou o 3° lugar, lançou o HQ Cabeça de Cuia em 2014, participou de 5 edições da revista 'De Repente' como ilustrador, expôs na primeira EXPOPIAUI em 2015, e atualmente vai está expondo suas obras na exposição coletiva no Teatro Saraiva em Parnaíba. 


Chavalzada – Primeiramente, me fale um pouco sobre você. Quem é Herbert Veras? 

Herbert - Sou uma metamorfose ambulante. 

CH - Quando você começou a trabalhar com artes plásticas? 

Herbert - Comecei a desenhar aos meus 2 anos de idade, na cidade de Parnaíba (cidade natal), minha mãe é professora e estava corrigindo provas quando eu peguei um papel e comecei a desenha-la, aí começou o meu gosto por desenhos e nunca mais parei. 

CH – Qual seu estilo de arte e como o desenvolveu? 

Herbert - A minha identidade como artista é uma eterna construção, minhas referências são variadas, sempre pegando o ponto positivo de cada artista que admiro. Na infância tudo começou com os desenhos animados e os HQS (história em quadrinhos), quando eu vim morar em Teresina no ano de 1997 minha mãe me colocou na escola de desenho artístico Studio Luz, que ficava no centro da capital, então comecei a ter contato com outros desenhistas e com técnicas que nunca tinha usado, foi através dessas amizades que criou pontes para conhecer outros autores até eu fazer o vestibular e entrar no curso de artes da Universidade Federal. 

CH - Quais são suas principais influências? 

Herbert - (Renascentistas) Leonardo da Vinci, Michelangelo, (barroco) Michelangelo, Merisse, Caravaggio, Rembrandt, Vermeer, (artistas da atualidade) Paolo Serpiere, Mylo Manara, Luiz Royo, Alex Rosse, Vladimir Volegov, (brasileiros) Luiz Benício e Pedro Américo. 

CH - Você já trabalhou ou tentou trabalhar com outros estilos e técnicas, assim como outros materiais e tendências? 

Herbert - Sim, atualmente estou trabalhando mais com tinta acrílica, tive uma experiência com escultura e xilogravura na universidade no curso de artes, mas não tem outra, eu me identifico é com desenho e pintura mesmo, acredito que quando a pessoa se identifica com uma área da arte ela já mostra uma identidade, e qual é o seu propósito ao deixar a sua marca na história. 

CH - Qual sua opinião a respeito das novas linguagens, como a digital? 

Herbert - Chama-se caminhar para o futuro, a arte hoje é muito mais que um trabalho estético, mas sim para abrir a mente da sociedade através das sensações sinestésicas, você deixa se ser um mero admirador e passa a interagir coma obra. Por outro lado a tecnologia está também facilitando a forma de fazer arte, o suporte é o computador e uma prancheta digital, hoje você vê muitos programas para desenho, principalmente para quem trabalha com QH por exemplo (Mangá Studio, Paint Too Sai, o próprio Photoshop, 3D Max) Esse ultimo já entra na outra modalidade de arte, a animação. Mas a tecnologia de se trabalhar coma arte visual não acaba por aí, recentemente eu vi uma propaganda na rede social sobre uma novo material de desenho digital, desenhar em 3D, muito interessante, você pira ao ver as possibilidades que pode te levar além da imaginação. 

CH - Em sua opinião, como anda o mercado de artes plásticas no Brasil? Há alguma tendência a melhorar? 

Herbert - Primeiro o Brasil não se é trabalhado uma cultura para valorizar artistas de verdade, o que podemos fazer é colocar os pesos na balança, no Rio e São Paulo por ser duas capitais, as oportunidades e dificuldades para os artistas são proporcionais, lá é um dos pontos de partida para ser reconhecido fora do país, mas se focarmos aqui no nosso Estado, as pessoas desvalorizam mais ainda, a pergunta é, a culpa é das pessoas? Não! Não é das pessoas da nossa terra, o problema está na educação, mas mesmo não conhecendo e não entendendo as pessoas se sentem bem de espirito ao entrar em contato com a arte. Agora se tem uma tendência a melhorar só mesmo com a base que está em falta, a educação, hora, em outros países na Europa, médico, juiz, político, advogado, faxineiro, professor, todas as classes trabalhadoras não só gostam de arte, mas valorizam os seus conterrâneos porque tiveram uma boa base na educação escolar, e como consequência disso o artista vive muito bem financeiramente com seu trabalho a serviço da humanidade com obras valendo até $ 60 mil dólares, ou $ 30 mil euros, sem falar que conversando com um grande amigo meu que é maestro, na Alemanha, é muito comum você vê um médico por exemplo tocar violino por esporte mas com um nível de um concertista profissional. 

CH - Como sobreviver de arte num país como o Brasil? 

Herbert -  Para sobreviver você tem que ter um trabalho alternativo para você bancar o seu material, outra etapa é construir um nome profissional que sabemos que não é fácil, é ralar muito para conseguir isso, e mesmo assim tem pessoas ao seu redor que vive com você naquela realidade que todo desenhista conhece, fazem de tudo para você fazer um trabalho de graça, mas esquecem que vivemos no capitalismo, é só observarmos o quanto uma pessoa hoje gasta com futilidade, mas não quer bancar o artista, que como qualquer ser humano também tem contas para pagar. 

CH - Existe algum tipo de patrocínio no seu trabalho? 

Herbert -  Existe sim, o meu esforço e minha dedicação, pois patrocínio mesmo nos dias de hoje está muito complicado, geralmente na sociedade capitalista selvagem que vivemos, eles querem retorno financeiro rápido. Hoje tudo está muito descartável. 

CH – No geral, como você vê o momento cultural piauiense no dia de hoje? A arte cumpre com seu papel de refletir a sociedade? 

Herbert - Vejo como uma guerra de sobrevivência, artistas bons e talentosos só o que temos nas artes plásticas, na música, na literatura, no teatro em todas as atividades do campo humano, agora quando eu falei em uma guerra de sobrevivência, é que estamos em uma decadência cultural, principalmente quando diz respeito aos eventos, se focarmos nas exposições de arte, praticamente quase não é divulgado, eu vejo muito é artistas de fora expondo aqui em Teresina e mesmo assim não é divulgado como afirmei antes, mas exposição com artistas locais só teve uma recentemente que mexeu com a cidade, a EXPOPIAUI organizada pelo meu amigo artista e publicitário Carlos de Holanda no ano de 2015. 

CH - Você acredita que o povo brasileiro, de modo geral, é desinteressado por arte? Justifique. 

Herbert - Não são todas as pessoas, mas uma parte enorme da sociedade, a educação não proporciona as pessoas a valorizar e apreciar verdadeiras obras artísticas sendo crítico, sabendo porque você gostou ou o porque você não gostou, vivemos em uma geração de cabeça atrofiada para arte, principalmente quando diz a respeito a música, todos os anos lança um novo ritmo descartável e fácil de ganhar dinheiro com frases curtas e fáceis de fixar na sua cabeça mesmo que inconsciente, mas quando você gosta de uma arte mais harmoniosa, como um Djavan, Adriana Calcanhoto, Luiz Gonzaga, J. S. Bach, Villa Lobos, logo te taxam de careta, mas nem mesmo essas pessoas sabem o que estão ouvindo e nem o porque estão ouvindo e se perguntar porque gosta, nem elas te respondem, mas o pior não acaba por aí, assim como na música, também temos um monte pessoas se passando por artista plástico pelo simples fato de não compreender a arte de Pollock, acreditam cegamente que se Pollock pintou abstrato e seus trabalhos valem milhões, eles tem o direito de enganar as pessoas. Para esclarecer melhor pintar abstrato não se resume a jogar um balde de tinta na tela, pintar abstrato é conhecer a teoria da composição, um estudo acadêmico, só assim o artista faz da sua obra uma harmonia para os olhos e para a alma. 

CH - Falta Arte nas escolas públicas brasileiras? Qual sua opinião a respeito? 

Herbert - A questão não é que faltam aulas de arte, o problema é que o ensino de arte é desvalorizado tanto pelo sistema da rede publica e privada de forma geral, o ensino de arte é visto como passatempo. O ensino da arte vai muito mais além do que fazer trabalhos práticos de pintura, escultura de argila, corte e colagem, festa junina, dias dos pais, dias mães, o ensino de arte é justamente para se trabalhar de uma forma interdisciplinar coma matéria de história geral e do Brasil, conhecendo desde os artistas Europeus, artistas brasileiros, focando a arte afro-brasileira e dos nossos índios, deixando nossos alunos cientes do contexto histórico e sócio político de uma época, e qual o propósito da arte ter sido trabalhada daquele forma, a aula de arte é para abrir a cabeça dos nosso jovens e não para alienar brincando de professor de arte, essa sim é uma das bases para se construir uma sociedade que valoriza os nossos artistas, estava me esquecendo do ensino de música que é muito importante para os alunos conhecerem outros autores. 

CH - Que conselho você daria a um jovem aspirante a artista plástico? 

Herbert - Siga enfrente, porque obstáculos sempre vão existir, muitos deles começa com a família que logo de cara já mete na sua cabeça que você não vai ter dinheiro, outro são os amigos, muitos não vão valorizar o seu trabalho, vão querer de graça, mas mesmo assim encare e dê a cara a tapa, porque você vai conseguir, a caminhada é árdua mas o sabor da conquista é maravilhosa, e sempre faça amizade com pessoas que estejam para somar e te levantar, e claro que te dê apoio para os seus sonhos, e isso é a política!para crescer na sua carreira, aprenda a aproveitar as oportunidades. 

CH - Cite um projeto/trabalho que você mais gostou de realizar e outro que pretende fazer. 

Herbert - Um trabalho que gostei muito foi lançar o meu primeiro trabalho de HQ projeto em parceria com meu amigo Carlos de Holanda, uma adaptação do livro “Cabeça de Cuia” , Carlos Holanda roteirizou e eu fiquei com a ilustração de 88 páginas, deu muito trabalho desenhar no ano de 2014, me lembro que eu desenhava assistindo o jogo do Brasil, (kkkkkkkkkk!) Agora os outros projetos é melhor deixar em off , se não for nesse ano vai ser ano que vem, mas estamos trabalhando duro para realizar. 

CH - Já pensou em ilustrar um livro? 

Herbert - Eu já ilustrei capa de livros, um deles eu citei que foi o HQ do Cabeça de Cuia que ilustrei desde o miolo do quadrinho até a capa, ilustrei 5 capas da revista De Repente e o livro Descobrindo o Brasil do cordelista Pedro Costa, e atualmente fiz duas ilustração de capa que ainda não foram lançadas, uma do livro de piadas “Na barbearia do seu Hilson” do meu grande amigo maestro e compositor Beetholven Cunha e a capa do CD de violão erudito do meu amigo violonista Felipe Vilarinho. 

CH - Considerações finais...

Herbert - Agradeço de coração a oportunidade de participar dessa entrevista, de expor as minhas ideias, sabemos que nos dias em que vivemos hoje nesse país expor ideias está numa situação delicada, mas estou animado e ansioso para chegar o dia da exposição em Parnaíba, pois a minha intensão assim como outros artistas na nossa terra é escrever um novo capítulo da história da arte no Piauí.

CH - Obrigado, Herbert Veras.

Herbert - Eu é que agradeço a sua atenção especial para contribuir com seu trabalho meu amigo. Um forte abraço para você e a todos os leitores do seu site.





Trabalhos de Herbert Véras:






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