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Crônica | Sofia - Jailson Jr.



Três, quatro, cinco. Contei os poucos passos e enfim alcancei a escada de metal. Lembrava aqueles assoalhos velhos de metrô inglês que se usavam em escudos de guitarra nos anos sessenta. Assustava-me a ideia de tocar perto de uma prancha de ferro que sustentou pessoas e suas cargas horárias de consciência, vá lá, estive sob efemérides tais piores. 
- Continua o mesmo encantador.
Mal sentei no balcão do café, ela chegou junto. Não foi combinado. Não a via a uns bons nove anos, mas o tempo fora bondoso com aquela que ainda era o amor da minha vida. Era sempre o mesmo pedido: café meio forte, torradas, charlotte e, por último, crème brülee. Mesmo quando passei a ir sozinho, o que mais me aproximava dela era pedir o que ela pedia, firme, mas delicada, e deitar naquela refeição o mesmo prazer que havia tido com ela e bons e saudosos vinte minutos. Longe de serem controversos na raiz, ao contrário. 
- Ainda lembra da nossas férias de Julho em Paris?
- Lembro. Você queria roubar a Monalisa e conjecturou que pular do alto da torre Eiffel traria certos inconvenientes, rs. 
    
Nove anos sem ver Sofia. Nove anos sem coragem de colocar outra no lugar que preparei a vida toda para que fosse dela. Simplesmente nossas peças perderam o encaixe. Terminamos. Ela foi estudar pós-graduação em História da Arte na Itália, e eu chorei seis meses. Eu a amava. Platonismo ou não, era o que era. Amores bem vividos não acabam assim como vento na curva, leva tempo. Tomei meu café - não tive coragem de pedir o de sempre para que ela visse.
- Tchau, Sofia. Preciso ir.
- Até uma próxima, quem sabe. 

Apertou minha mão junto a dela, aqueles dedos rosados perseguindo os meus duros dedos marcados pelo ofício dr infância. Era minha hora de voltar ao trabalho, mas gostaria que não fosse. Voltei pela mesma escada estreita que dava até a porta da rua. Dobrei a esquina e junto com ela a visão escarlate de Sofia. Eu a amava como nunca pensei que pudesse, mesmo havendo razão em aceitar que há coisas que não precisam de explicação nem mesmo em uma segunda chance, ao menos.

Jailson Jr. 
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