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Trabalhar na porta de casa, este é o negócio! - por Pádua Marques


Quando eu era menino costumava ver meus irmãos mais velhos e até outros rapazes lendo umas revistas que ensinavam as pessoas a terem uma profissão de mecânicos, eletricistas, costureiras, técnicos em eletrônica, mecânicos de automóveis e outras tantas. Eram profissões que se imaginava naquele tempo dariam dinheiro.

Eram os chamados cursos por correspondência, do Instituto Rádio Técnico Monitor e o Instituto Universal Brasileiro. O camarada se matriculava e ficava recebendo as aulas em apostilas. Ao final do curso recebia um diploma e um kit para iniciar seu próprio negócio. Depois abria uma oficina na porta ou nos fundos da casa, em alguma rua ou praça onde passava gente e estava criada a empresa.

Conheci muita gente que fez estes cursos, abriu seu próprio negócio numa oficinazinha e se deu bem na vida. Pelo menos dava pra trazer todo dia pra dentro de casa algum troco que iria comprar o leite e a bolacha dos barrigudinhos. Estas revistas, se alguém for mais curioso, pode até encontrar na banca do bom e paciente velho Caçula, no centro comercial de Parnaíba.

Esse negócio de cursos por correspondência foi coisa inventada pelos americanos, bichos danados pra gostar de ganhar dinheiro, após a dita Segunda Grande Guerra, com o objetivo de criar pontos de trabalho e ao que hoje chamamos de empreendedorismo, ou seja, dar condições pra que muita gente passasse a trabalhar por conta própria.

Porque esse negócio de SENAI não era pra todo mundo, pois mal havia saído dos cueiros e o SEBRAE nem era nascido. E eu aqui com a mão no queixo imaginando naquela situação de na Parnaíba há tantos e tantos anos, coisa do tempo de Paulo Eudes, os passageiros do transporte alternativo ainda esperarem as vans embaixo de um pé de oiti ali na praça de Santo Antonio.

Passaram os mandatos de Zé Hamilton e o de seu afilhado político Florentino Neto e essa situação não foi resolvida. E olhe que eu cobrei de todos eles uma posição. Agora assim que Mão Santa pôs os pés no gabinete, sua equipe andou se metendo a resolver tudo de uma vez. E de uma vez por todas aquele mondrongo em meio de cabeça. Mas só que escolheram pro dito terminal urbano, justo a vizinhança do Mercado da Quarenta, infestada de marginais, bêbados, desordeiros do Carandiru, que é como chamam aquele conjunto residencial. Dali será muito mais fácil e prático aos ladrões de celular e de bolsas de velhinhas, trabalharem sem nenhum problema na porta de casa.

Aquele pessoal nem vai precisar atravessar a rua, pagar transporte, carregar marmita, pagar aluguel de escritório, boletos de luz, água e telefone, pagar funcionário. Aqueles ladrões do conjunto habitacional vão montar seus negócios, assim como fizeram no passado os jovens que fizeram cursos de eletricista e de eletrônica por correspondência, na porta de casa, olhando lá de cima. E vão de lá escolher as suas vítimas. Bem vizinhos de outro ninho de pouca vergonha e tudo quanto não presta, o Troca-Troca.

Serão agora no coração da Parnaíba funcionando dois grandes corredores de negócios, igual à avenida Paulista e a Faria Lima em São Paulo ou a Quinta Avenida em Nova York. Será o maior complexo de dor de cabeça do mundo, onde ocorrerão a toda hora do dia e da noite, roubos de carteiras, bolsas de professoras aposentadas, agressões e vexames a estudantes, mulheres e crianças, roubos de celulares e tudo o mais. Junto com o Troca-Troca, em sobressalto vai perder apenas pra ilha de Manhattan.

*Pádua Marquesjornalista, membro da Academia Parnaibana de Letras, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba, da Academia de Letras da Região de Sete Cidades, entre outras entidades culturais.









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