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Artigo | Nunca confie em saco fechado - Pádua Marques

Bastou eu chegar ao Brasil depois de um final de semana muito bem passado na propriedade de um amigo meu na divisa entre Parnaíba e Buriti dos Lopes pra fiar sabendo que andou acontecendo muita coisa. Algumas dessas coisas, ruins e tristes, decepcionantes, mas outras cheias de esperanças. Porque se existe coisa boa é esperança que as coisas vão se ajeitar, embora a gente esteja sabendo que o mundo a cada dia que passa anda virando de cabeça pra baixo.

Nessa minha volta ao Brasil fiquei sabendo do triste ocorrido com um cantor sertanejo, o Cristiano Araújo, que embora no meio de tantos outros do seu meio, pra mim não era lá muito conhecido. Existem tantos cantores sertanejos no Brasil quanto os médicos e enfermeiros de plantão, em serviço e atendendo a contento pelos hospitais brasileiros. Mas voltando ao caso do cantor, fiquei decepcionado com o que foi mostrado pelas redes sociais: funcionários da clínica que estava preparando o corpo para o velório.

Todo mundo viu e ficou chocado. Agora você imagine o que não deve ocorrer em tantos outros estabelecimentos iguais pelo Brasil, principalmente estes que são públicos, com os funcionários relaxados, cheios de preguiça, debochados, sem compromisso e espírito ético e público. E que em muitas das vezes só trabalham direito quando recebem um por fora, da propina. Nesses hospitais e postos de saúde espalhados pelas cidades miseráveis e onde o dinheiro que corre é o do Bolsa Família e na prefeitura, aquele do Fundo de Participação dos Municípios. Lá é onde a coisa deve ser pior.

Outra decepção e nem tanto foi essa fragorosa derrota da Seleção Brasileira na Copa América, no Chile. Os meninos de Dunga já desembarcaram de cabeça baixa e aqueles poucos que falaram alguma em português falaram por monossílabos. E aí fica todo com pena e dando palpite, culpando esse e aquele, apontando erros e oferecendo soluções. E enquanto isso a crise econômica cobrindo milhões de trabalhadores com o fantasma do desemprego. E o povo brasileiro se preocupando ao extremo com uma decisão de partida de futebol. Deixem esses jogadores pernas de pau pra lá. Muitos deles, se não a maioria, estão com a vida feita, jogam no estrangeiro e ganham em dólares.

Mas eu fiz esse arrodeio todo pra chegar ao último ocorrido da semana em Parnaíba enquanto eu estava no meu recanto do São Benedito. Fiquei sabendo que a primeira indústria da Zona de Processamento de Exportações, uma que fabrica ceras vegetais, já chegou debaixo de muito foguete e palmas. Graças a Deus há de ser a primeira de muitas outras. Que é pra tirar um magote de vagabundos das esquinas e outro tanto dos bancos de praças que passam o dia inteiro falando da vida alheia e do prefeito Florentino Neto. 

A minha outra e última preocupação fica por conta dessa coisa de agora, sempre que se fala em abertura de negócios, isso é generalizado no Brasil, seja no comércio, indústria ou serviços, se colocar logo na frente projeções sobre a oferta de empregos. Serão tantos e tantos mais, dizem sempre a propaganda. Muitas das vezes a gente pode perceber que aquele negócio é de uma natureza especial, trabalha com um produto ou serviço que não gera grande procura ou consumo. Portanto seria interessante, isso no meu ponto de vista, que essas pessoas fossem prudentes naquilo de andarem anunciando. Abrir a boca e dizer, principalmente numa cidade que está na seca pela oferta de trabalho há várias e várias décadas, que tal negócio vai abrir de forma direta tantos e tantos postos de trabalho, é no mínimo precipitação e pode gerar decepção com o passar do tempo. 

O importante seria informar que este ou aquele negócio tem capacidade de produzir esse ou aquele bem de consumo e que, mais importante, tem capacidade pra se manter no mercado e atingir outros durante tantos e tantos anos. Esse negócio da oferta de tantos e tantos empregos, pra mim é uma consequência dessa oferta e manutenção de produtos e serviços no mercado por tanto e tanto tempo. Não se pode confiar em saco que ainda está fechado.

*Antonio de Pádua Marques - Escritor e Jornalista


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