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Chavalzada entrevista o artista plástico Michael Jackson


O Blog Chavalzada apresenta a sétima entrevista da série de diálogos que fará com os artistas participantes do "II Fazendo Arte Coletiva" que ocorrerá em setembro no Teatro Saraiva em Parnaíba/PI. A conversa de hoje é com o artista plástico/visual Michael Jackson.

Michael Jackson possui Licenciatura Plena em Artes Plásticas UFPI - Universidade Federal do Piauí 2008.2, é Especialista em Metodologia Do Ensino da Arte e Especialista em Arteterapia. Atuando como arteterapeuta no CEIR- Centro Integrado de Reabilitação, concursado como professor da Prefeitura de Teresina e professor do Estado do Piauí, Professor da rede privada, artista plástico, ilustrador, caricaturista e idealizador do projeto Intuiando.

Chavalzada – Primeiramente, me fale um pouco sobre você. Quem é Michael Jackson?

Michael Jackson - Essa é uma pergunta extremamente difícil de ser respondida. Todo “autorretrato” carrega uma perspectiva bastante subjetiva e quase sempre irreal por ser idealizada demais, então eu poderia afirmar de maneira bem simples que sou um jovem artista que vem tentando desbravar os caminhos tortuosos das artes visuais e conquistar o meu espaço.

CH - Quando você começou a trabalhar com artes plásticas/visuais? 

Michael - Minha história com as artes plásticas começou muito cedo, por volta dos cinco anos de idade quando eu ainda morava na cidade de Esperantina. Nesse tempo eu já me interessava por todas as linguagens artísticas que estivessem ao meu alcance, desde o cinema, a música, a dança e as artes marciais, contudo, o desenho me chamava mais atenção por sua simplicidade, força e sutileza. “Desenhar é a integridade da Arte. Não há possibilidade de trapacear. Ou é bom ou é ruim” Salvador Dalí

CH – Qual seu estilo de desenho e como o desenvolveu?

Michael - Minha identidade artística está sempre em processo de construção e com intensa reciclagem, por isso, o meu estilo não possui uma forma definida, muito menos um rótulo pronto, e enquanto alguns artistas da atualidade apresentam uma proposta pobre e essencialmente comercial, eu busco me reinventar, desafiando minhas potencialidades a cada nova tentativa. Por isso, ser demasiadamente repetitivo e se esconder atrás de uma marca registrada é uma saída covarde e muito oportunista de se fazer arte, prefiro ser coerente com minhas emoções e propor algo que materialize a minha verdade artística de interpretar o mundo. 

CH - Quais são suas principais influências?

Michael - De um modo geral, as influências do meu trabalho surgiram através do meu gosto pelas histórias em quadrinhos do universo Marvel Comics, em artistas perfeccionistas como Michael Jackson (meu xará) e destaco principalmente o universo da História da Arte, desde a Pré-História á Arte contemporânea passando por alguns nomes como: Da Vinci, Rembrandt, Monet, Degas, Salvador Dalí, Van Gogh,Portinari, Vik Muniz entre muitos outros, mas aponto para a vida como a maior fonte de inspiração e aprendizagem em relação a minha arte.

CH - Você já trabalhou ou tentou trabalhar com outros estilos e técnicas, assim como outros materiais e tendências?

Michael - Todos os dias! A experimentação de novos materiais, técnicas e estilos fazem parte do meu processo de multiplicidade.

CH - Qual sua opinião a respeito das novas linguagens, como a digital?

Michael - O mundo da arte está sempre se reinventando e a tecnologia se fez presente ao longo de toda a História da Arte, desde o Paleolítico Superior até a nossa atualidade. Toda e qualquer tecnologia é apenas mais uma ferramenta na mão humana, onde tudo está diretamente relacionado à técnica e criatividade de um artista, ou seja, não importam quais meios estão presentes na sua criação, desde os mais avançados programas de computador ou mesmo a simples arte pintada no interior das cavernas há mais de 30.000 anos.

CH - Em sua opinião, como anda o mercado de artes visuais no Brasil? Há alguma tendência a melhorar?

Michael - O Brasil, de um modo geral, é uma nação que desconhece ou simplesmente ignora o real potencial artístico de seu povo, um país com proporções continentais que possui uma cultura tão rica e miscigenada deveria ser menos preconceituoso e passar a valorizar sua própria identidade e isso claro, inclui os seus artistas. Nutrimos ao longo do tempo um costume de acreditar que tudo que é exclusivamente estrangeiro se torna obrigatoriamente superior, fato que só começou a mudar por conta das manifestações do modernismo brasileiro em 1922, onde se apontou para as nossas raízes culturais sem perder as inovações estilísticas e libertárias. Infelizmente é comum ainda nos dias de hoje presenciarmos muitos artistas de extrema qualidade não terem o seu justo reconhecimento por incompetência do nosso sistema político, cultural e econômico

CH - Como sobreviver de arte num país como o Brasil?

Michael - Vejo minhas produções de um modo diferenciado por conta do meu sustento não depender da comercialização das minhas obras de arte, a minha renda existe pelo ofício da docência através da rede pública e privada de ensino e pelo meu trabalho como arteterapeuta em clínicas de reabilitação ou de maneira avulsa, portanto, viver apenas da arte com dignidade ainda é uma tarefa impossível.

CH - Existe algum tipo de patrocínio no seu trabalho?

Michael - Não recebo nenhum tipo de patrocínio, fato que me faz repensar em alguns momentos das minhas escolhas pessoais do meu passado artístico, minha idéia primordial sempre foi buscar apenas estudar, investir e melhorar minha arte. Vejo que o reconhecimento vem de maneira muito mais fácil quando existe alguma troca de favores com pessoas influentes do ramo ou através de esquemas políticos e parcerias midiáticas, onde na maioria das vezes é notório que o produto final, ou seja, a arte é apenas um detalhe. Na atualidade me dou o luxo de produzir apenas para quem eu quero, no meu tempo livre, do meu jeito e com o meu preço que pode variar em não estar à venda ou ser gratuito! Cada artista usa as armas que possui, mas no meu caso eu nunca precisei bajular pseudo-intelectuais e até mesmo grandes instituições para obter sucesso.

CH - Você mantém um canal no Youtube denominado “Intuiando”, nos fale mais sobre ele...

Michael - O canal Intuiando é uma grandiosa idealização minha e da minha noiva Maria Clara e se trata de uma espécie de portfólio virtual, espaço que visa propagar o trabalho artístico dos envolvidos usando as redes sociais, principalmente utilizando a ferramenta do Youtube e trazendo uma proposta jovem, interessante e divertida onde os vídeos apresentam tutoriais, aulas de artes, entrevistas e releituras nas mais variadas formas de linguagens, sempre com uma abordagem carregada de humor e informação. A palavra INTUIANDO sugere entulho, intuição, além de juntar, amontoar e carregar elementos e agregar diversos elementos do mundo da Arte. Adotamos as calopsitas como mascotes, aves coloridas e expressivas que sempre se fazem presentes nos vídeos. O nascimento do canal também é uma saída para adquirir um espaço livre e sem os obstáculos comuns para se fazer exposição da nossa Arte.

CH – No geral, como você vê o momento cultural piauiense no dia de hoje? A arte cumpre com seu papel de refletir a sociedade?

Michael - A arte no Piauí vive o seu pior momento, infelizmente estamos na idade das trevas, ainda sem um lugar adequado e acessível para se realizar exposições de verdade, com projetos desinteressantes e eventos ineficientes, existe uma carência urgente de curadores competentes, de críticos de Arte de verdade e políticos sensíveis e com a inteligência necessária para aproveitar todo o potencial artístico do nosso estado. Presenciamos uma completa inversão de valores onde, acontecem verdadeiros descasos com nossos artistas e que infelizmente na sua esmagadora maioria travam uma briga de egos patética e praticamente nada é feito para mudar o nosso cenário em que lamentavelmente quase todos estão preocupados apenas na sua autopromoção. É preciso unir forças e abandonar certas vaidades, rever conceitos e administrar a produção artística como um veículo de informação, reflexão, crítica e transformação além de servir para inspirar pessoas

CH - Você acredita que o povo brasileiro, de modo geral, é desinteressado por arte? Justifique.

Michael - Eu penso que todas as pessoas do mundo apreciam algum tipo de arte independente de como ela se apresenta, é necessário apenas fazer uma educação dos sentidos e ter permissividade para usufruir se dela. A arte está em tudo, caminha lado a lado com o desenvolvimento da humanidade e existe como uma real necessidade para a nossa sobrevivência.

CH - Falta Arte nas escolas públicas brasileiras? Qual sua opinião a respeito?

Michael - Posso afirmar que vem melhorando consideravelmente, mas ainda estamos bem distantes do ideal a ser atingido. Em nível de Piauí as escolas estaduais, conquistamos livros didáticos para os alunos do Ensino Fundamental e Médio a partir do ano de 2017, além do ensino da arte ser disciplina cobrada do ENEM desde 2009, fato que deu um grande incentivo ao estudo da Arte e sua conseqüente valorização entre as disciplinas estudadas. Por outro lado, infelizmente os investimentos nas escolas ainda são muito precários, principalmente nas aulas práticas das modalidades de teatro, dança, música e artes visuais sem contar na irresponsável substituição de professores de Arte por professores leigos de quaisquer disciplinas consideradas afins. Isso é uma forma ridícula de substituir um profissional de verdade por outro que não possui sequer um diploma da área. É preciso reverter esse quadro trágico de irresponsabilidade e desrespeito com o profissional da área da Arte, afinal desde 1996 com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação LDB. 9394/96 determina a necessidade do ensino da Arte ao longo de todos os níveis da educação básica e sendo ministrada com caráter comum a todas as outras disciplinas estudadas, ou seja, professor de Arte merece respeito e dignidade como qualquer outro docente.

CH - Que conselho você daria a um jovem aspirante a artista visual?

Michael - Para se viver de arte é quase sempre necessário ter uma segunda profissão, algo mais seguro e que possa trazer certa estabilidade financeira, isso enquanto sua arte não possuir reconhecimento ou valor comercial. Esse seria o conselho mais tradicional, além disso, afirmo que não existe uma fórmula secreta do sucesso, então não seja demasiadamente tolo em se superestimar a ponto de fazer planos e investimentos absurdos, pois se trata de uma área de altos e baixos e que na maioria das vezes a qualidade de sua arte não garante absolutamente nada. Existem muitos artistas completamente medíocres com muito sucesso, assim como grandes gênios anônimos que passam fome todos os dias, por isso, é preciso ter cuidado, pois o tempo é sempre um inimigo que nunca se pode vencer, é preciso encarar a dura realidade e conviver sempre com a possibilidade do fracasso! Geralmente é preciso de uma vida inteira de muitos esforços para se ter respaldo no mundo da arte e pouquíssimos artistas conseguem viver de maneira digna do seu próprio trabalho, por isso, estude e sempre encare com muita determinação aos desafios diários, mas esteja ciente dos riscos e dificuldades comuns da profissão.

CH - Cite um projeto/trabalho que você mais gostou de realizar e outro que pretende fazer.

Michael - O meu trabalho favorito tem sido produzir os vídeos do canal Intuiando, algo que me deixa bastante orgulhoso por se tratar de uma proposta de extrema qualidade em que eu posso me permitir brincar com várias modalidades e propor sempre novidades artísticas da minha visão versátil e agregadora em uma plataforma livre, outra coisa que me deixou bastante satisfeito foi produzir a caricatura do youtuber e comediante Whindersson Nunes, que hoje é considerado o segundo youtuber mais influente do mundo contanto com a expressiva marca de 10 milhões de inscritos no seu canal, entre incontáveis desenhos e pinturas enviadas diariamente ao humorista piauiense de respaldo internacional ele escolheu exatamente o meus para ser usado como foto de perfil de seu Facebook. Esse fato que me deixou muito envaidecido, me senti como se tivesse recebido um importante troféu no mundo da Arte e o projeto que eu ainda espero realizar é minha primeira exposição de Arte. 

CH - Já pensou em ilustrar um livro?

Michael - Já tive desenhos publicados em alguns livros como: ”Meus caminhos”, “Eu sou a escola” e “Mimeses cotidiana”, e aprecio muito esse ofício de ilustração.

CH - Considerações finais...

Michael - Ser artista é um ato de coragem, devoção e amor! Valorize sua cultura, se permita aprender e sentir a arte e se possível faça parte dela, além disso, quero fazer um convite a todos para conhecerem o meu trabalho e se inscrever no canal Intuiando do youtube! E lembrem-se que “O maior inimigo da criatividade é o bom senso” Pablo Picasso

CH – Obrigado, Michael Jackson.

Michael - Eu que agradeço pela oportunidade dessa entrevista, foi um imenso prazer! 

“Tudo vale a pena se alma não é pequena” Fernando Pessoa







Trabalhos de Michael Jackson







Mais trabalhos do autor (AQUI)



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