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A importância da Farinhada (mandiocultura) para Chaval/CE

Foto: Neyci Sotero (Comunidade do Jatobá)
A casa de farinha é o que podemos chamar de “lugar de memória” no cotidiano dos farinheiros. Mais do que raspar mandioca e fazer farinha, nas farinhadas se observa momentos de encontro e interação da comunidade numa troca de saberes e práticas. Circulando o monte de raízes, as pessoas enquanto raspam (mandiocas), contam piadas, histórias e causos do hábito interiorano.

Na perspectiva da tradição do saber-fazer, as tradicionais farinhadas resistem ao tempo, fazendo parte dos costumes do nosso povo ao longo dos anos. Os primeiros registros da mandioca (Manihot esculenta Crantz) datam da chegada dos portugueses, quando Pero Vaz de Caminha descreve sua utilização pelos indígenas (CASCUDO, 2004)[1]

Em Chaval/CE, a produção de farinha é praticamente toda artesanal, baseada na tradicional “farinhada”. Essa técnica do “saber-fazer” herdada dos indígenas veio passando entre gerações até os dias atuais. Com o tempo se agrega outros conhecimentos, técnicas e equipamento, entretanto sem perder a essência que norteia e identifica o jeito de se produzir a farinha e seus agregados (beijus, tapiocas, etc.)

As mandiocas (matéria-prima) são transportadas da capoeira à casa de farinha em mulas (hoje já se utiliza automóveis). Ao chegar às casas de farinha, as raízes são colocadas ao chão, para serem descascadas, o que consiste na retirada da casca externa. Em Chaval/CE, o descascamento é feito de forma manual, com o auxílio de facas e, em sua maioria, realizada por mulheres, que se acomodavam no chão, na área interna das unidades.

Depois do processo de raspagem a mandioca pode ser logo serrada (produzir farinha branca) ou fica de molho em um tanque com água por cerca de três dias antes de ser serrada (farinha puba). Depois de serrada, no caso da farinha branca, a massa é espremida em um pano fino e resistente para a obtenção da goma (amido) e só depois a massa é levada a prensa, já no caso da farinha puba a massa é levada diretamente a prensa. Posteriormente à prensagem, a massa é peneirada e levada ao forno onde se finaliza o processo de produção da farinha.

Neste contexto se evidencia a importância de se resgatar, valorizar e/ou manter vivo este saber-fazer secular, relacionado à tradição da farinha, cuja notoriedade na região é incontestável.

SILVA, Marcello.


[1] CASCUDO, L. C. História da alimentação no Brasil. 3 ed. São Paulo: Global. 2004. 960p.





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